Em contra.
Ela tinha vinte. Ele, vinte a mais que ela.
Ele, como supunha a idade, era como pai dela. Ela, apesar da idade, como mãe dele.
Havia sexo. Era sempre bom. Ele era estéril. Ela aficionada por crianças. Já haviam pensado em adoção. As coisas iam mal.
Ela acordava cedo, sempre. Passava o café, torrava as torradas e levava na cama. Ele agradecia com um beijo, às vezes com mais. Ela então se vestia, e saía. Ele voltava a dormir. Nunca acordava cedo, só quando precisava.
Ela voltava, sempre sem o emprego que havia ido procurar. Ele, nesse ínterim, havia acordado e lavado a louça da janta do dia anterior e fumado três cigarros, um em cada cômodo do apartamento. Ela começava o almoço lhe contando de como tudo é só questão de ponto de vista, ele terminava, lhe dizendo que não. Comiam se olhando, silentes. Fartavam-se.
Havia sexo. Era sempre bom. Depois se banhavam e passavam o dia na cama, de planos e cigarros. Ela adormecia. Ele ia pra sala. Dormia com o televisor. Chegava à cama sem saber como. Dormia com ela.
- Que é que você ta fazendo? – perguntou ela, engrolando a voz, de susto e sono.
- Servindo-te o café na cama, oras…
- Mas…
- É, fica na cama hoje. Descanse…
- Descansar do que?
- Sei lá, tire o dia pra você. Faça nada. Tudo…
- Sem você?
- Sem mim.
- Mas…
- Espera-me de almoço pronto e calcinha, que eu volto com fome.
- Bobo!
- Já me vou, então. Até logo, amo você. – ele disse, beijando-a.
- Amo você também. Sorte na empreitada…
Ela. Tinha vinte minutos que havia começado a chorar. Afogava-se com os soluços e toda ela vertida em lágrimas. O telejornal noticiava um ônibus caído de um viaduto.
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Aff… Sem comentários, pessoa ruim e desalmada. Você não tem amor no coração, sério.
Mas, realmente, esse foi o que eu mais gostei, bee! Nem preciso dizer por quê, né? Você logo acertou que eu fosse gostar.
Já te disse que imaginos os homens dos seus contos como sendo velhos, boêmios, safados? Hahahaha. De verdade.
Triste, Jefferson, pqp. ¬¬
Te amo, beijos.