Bárbara

10Out11
Acarinhar-te nos braços esta alvorada
Que é uma morte dentro no corpo,
No lenho dos dias tirados à esperança.
E estamos remotos.
 
Aceita esta gema, que é uma carne e um pedido
De amor e perdão fluvial. Aceita com o teu desvelo quente
E frágil de irmã.
Aceita, mulher, o cerne ferruginoso e branco
Deste número dissoluto e ocamente intentado que é o meu espinhaço.
Assim poderei compor os teus cabelos,
Beijar-te no íntimo dos passos;
Assim, e somente assim, eu te poderei amar
No maciço da cólera que há em cada um destes órgãos rígidos
Que guarnecem as nossas vozes.
 
Deves-me aleitar – como o faz o vidro com o unto.
Deves preparar a pedra de nossa partida.
 
Tuas lágrimas me servem para prolongar a acha,
Dar-lhe, por sobre o mármore das nossas mãos, o nome do corpo,
O som dúctil e alto do corpo.
 
Aceita a minha vida, mulher,
Que sem o teu conselho, não sou senão uma continuidade miúda
E estéril.
Dorme agitadamente e nua por sobre os meus olhos,
Por debaixo deste miocárdio viloso e vão que é meu e te pertence.
Assim recomeçaremos sem que haja termo,
Amaremo-nos no grito intestino das ruas;
Assim, e somente assim, refrearemos,
Seta e sangue no occipício notável dos astros, o suor negro
E a cifra estúrdia dos nossos pulsos.


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