O Lobo

27Out11
Grachan Moncur III com a madeira da boca e dos dedos:
No sétimo dia
Que sucederá àquele
Em que ouvi primeira vez
O prelúdio de sangue e vidro
Ao primeiro ato de Tristão e Isolda
Tu deverás te sentar – soçobro e fumo –,
Com a nuca de lixívia e beijos antes de o lobo
Ao teto fazer subir tua palavra e teu hímen quente,
Entretanto na espuma dos teus joelhos a luz flanqueada
Livrar-te-á do mal com mil pássaros e serpentes aromáticas.
 
O cadáver azul de Lennie Tristano:
Taste the F
Rank
Sin
Atra,
Kiss the P
Ab
Loner
Uda.
 
Antes de o lobo perfazer a hora ululante como a lua, naturalmente,
O chão com um pé de ouro e números, sete, nove – parecem-te inabituais,
Mas não o são, em verdade –, resvalará por detrás dos teus olhos como
O animal que habita o carcinoma que há nu nos abraços úmidos com a pele
Desejosa e metálica e que fugazmente te diz com os poros, que em momentos
Como esses alcançam precisamente o tamanho de uma cabeça de búfalo,
Diz-te o animal que a vida não é senão um acaso.


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