Weekend

10Nov11
Minha mãe é pianista laureada;
Com o tarso copioso em que habito
Ela comove-te em cada um desses
Ossos recurvos que abrem
Teu peito. Assim, posso-te beijar
No astro negro que estria
O dorso das meninas todas
Aspergidas por sobre
A nudez angulosa das pedras, que
Arrojam-se qual o baixo-ventre
De uma maçã ou de um tigre,
Para erigir pressurosas estas cifras.
E estávamos trinchando nossos sonhos,
Meu pai, com a cabeça vaporosa e linda e
Dentária, indicava-nos uma barriga:
Acredita-me, tu que me tens – carne
E perfume – pegado aos teus seios,
Acredita-me! Uma lesma que se parecia
Ao paroxismo leve e branco da bruxa
Acesa nos teus olhos e zigomas,
Uma lesma, que só divisei porque o sol
Já em boa hora se ia envolto em areia e números,
Ela comeu-me a novidade fria dos olhos.
Assim, posso-te guiar por este vestíbulo
Infindo e carmesim, sem temer o que esteja
Escrito fundo na minha voz, que,
Em verdade, é a tua.


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