Placenta

29Nov11
Trato de descobrir
Nos da tua mãe
Os teus olhos.
Sobressaltam-me
As palavras que se parecem
Ao teu nome –
Mas que, definitivamente,
Não o são, não o são –,
E colijo-as num dicionário:
Esta coisa.

A escaramuça não tarda. Aqui estais, tu e tua mãe,
Vós sois a mesma carne, a mesma teima –
A mesma teima, por isto eu mudo-vos.
Vossos ovários são esta coisa,
Não vós.  Cruel tauromaquia. Fim de um silêncio.

Amar-te – mais que isto –;
O corpo estiolado, a insistência.
Mas te escolhi, escolhi, pois, estar fraco.
Esta coisa fraca
Que escrevo.
Este dicionário,
Filho nosso,
Que agora não me admite.
Dizer-te é o mesmo que
Dizer o mênstruo, a bicicleta.
 
Tenho ainda pressa, entretanto já não me reconheço.
Não te reconheço. Tu ou tua mãe?
Dizer a tua cabeça sem boca – tu sequer falas –
É o mesmo que dizer o último ano, o luxo, a obra.
Negar-te, vingando-me, é fim como início. E sem mim.


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