Hoje: Sim
13Dez11
Se dos teus seios uma rara fruta, um raro olho,
Eu, sem o influxo da vontade, como uma mãe,
Apenas preparo este poema, como se prepara
A ceia. Então, flanqueada, uma boca rompida.
Apenas preparo este poema, como se responde
A uma pergunta de criança, como se eu
Estivesse descrevendo o teu corpo.
Doer como um céu aberto no vermelho:
Não há fuga, porquanto fugir é também doer.
Tu te soergues e prossegues, não porquanto
Há fim, mas porquanto há. Então, flanqueado,
Este poema: como todos os outros,
Ele está vivo nos teus olhos, por sobre uma cifra,
Um livro de pedras, um chão onomástico,
No entanto este poema quer te dizer sem pressa,
Quer te ensinar a torcer e a destorcer as palavras,
Humildemente, como muitos já o intentaram.
Temer como uma cabeça de criança aberta:
Não há promessa, porquanto prometer é também
Temer. Tu insistes sem força. Este poema quer
Dizer-te nas tuas mãos: não te culpes. Da vida
Há só o que se vive, sem cristais de braços certos,
Sem rios em peitos fracos. Levantar diariamente
Para a morte, mas conhecendo-a única coisa:
É o que faz este poema, é o que ele quer dizer-te.
Se dos teus olhos a nicotina das horas, o corte
Na carne do motivo, eu, com os meus mantras
Repetidos, como uma criança eu beijo-te: hoje: sim.
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