Ou Poema
03Jan12
Construir-te é uma escola,
Tu, nua em mim:
Carne em vidro.
Dou-te pesares, mas suaves –
Árvore diurética a que se queima levantada –
E o faço para rasgá-los
Somente.
Quero-te, ouro engendrado
Em útero de voz e vento,
E beber-te os gestos sem o corpo da troca.
Quero-te escrita, porque assim tu vives.
Alimentar o metal da fome,
Tu, nua em mim,
Não sei se mulher ou poesia
Ou ausência.
Dou-te remates – e o faço para que
Tu mesma os rasgues –, mas são palavras
Somente.
Dou-te seqüela, mas tu já te desnudaste.
Esta escola é um ossuário.
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